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FALHAS NA SEGURANÇA EXPÕEM EMPRESAS E LARES

Entre 2023 e 2025, uma série de invasões a condomínios, arrastões e roubos de carga voltou a expor a fragilidade da segurança privada no Brasil. O movimento acontece em meio ao crescimento do setor, que empregava mais de 530 mil vigilantes em maio de 2024, segundo dados da Polícia Federal, e registrava quase 5 mil empresas autorizadas a atuar em todo o país. A indústria de segurança eletrônica também surfou uma onda positiva: em 2023, o faturamento ultrapassou os R$ 12 bilhões, puxado por câmeras com inteligência artificial, sistemas de monitoramento remoto e portarias virtuais, que já funcionam em mais de 12 mil prédios. O avanço, no entanto, não tem sido suficiente para barrar a criatividade das quadrilhas.

Um dos casos mais recentes aconteceu em agosto de 2025, em um condomínio de alto padrão em Moema, na zona sul de São Paulo. Cerca de 15 criminosos renderam o porteiro, desligaram as câmeras e teriam usado um controle remoto clonado para acessar a garagem. A ação expôs uma vulnerabilidade cada vez mais comum: a facilidade com que dispositivos antigos de controle veicular podem ser copiados. Em 2024, em Santos, a polícia prendeu integrantes de uma quadrilha acusada de furtar apartamentos de luxo. As investigações apontaram a participação de um funcionário de portaria, o que reforçou a preocupação com riscos internos, seja por negligência ou conluio.

No setor empresarial, as perdas são ainda maiores. O roubo de cargas continua a ser um dos crimes mais caros para o país. Em 2023, foram registradas mais de 17 mil ocorrências, com prejuízo estimado em R$ 1,2 bilhão. No ano seguinte, os números se mantiveram elevados, com o Sudeste concentrando cerca de 80% dos casos. O alvo das quadrilhas vai além das estradas: centros de distribuição e pátios logísticos muitas vezes operam com sistemas defasados de vigilância, controles de acesso frágeis e rotinas que acabam mapeadas pelos criminosos antes de cada ataque.

Especialistas apontam que as falhas seguem um padrão. Controles de acesso veicular são clonados com facilidade, porteiros trabalham sozinhos e sob pressão em situações de risco, circuitos de câmeras ainda dependem de gravação local e ficam cegos quando o DVR é desligado, e auditorias internas são raras, o que abre espaço para falhas humanas. A conclusão, segundo consultores, é de que tecnologia sem processo não resolve. “A vulnerabilidade quase sempre está no elo humano. Um sistema de última geração não adianta se o procedimento de checagem não é seguido”, afirma um especialista ouvido pelo setor.

Apesar dos problemas, há sinais de avanço. A portaria remota vem ajudando a padronizar rotinas e diminuir a dependência de decisões individuais em momentos críticos. Há também relatos de tentativas de invasão que foram frustradas por protocolos rígidos de clausura, quando criminosos não conseguiram ultrapassar a segunda barreira de segurança. Além disso, operações policiais realizadas em 2024 e 2025 em São Paulo e no Rio de Janeiro conseguiram desarticular quadrilhas especializadas em arrastões a condomínios e no roubo de cargas, resultado de investigações baseadas em inteligência.

O cenário que se desenha é de um setor que cresce, emprega e investe em tecnologia, mas que enfrenta o desafio de se manter à frente de quadrilhas igualmente sofisticadas. A lição deixada pelos últimos anos é que a segurança precisa ser tratada como um processo vivo, em constante adaptação, e não como um produto acabado. Sem treinamento contínuo, auditorias regulares e envolvimento de moradores, síndicos e gestores de facilities, até o sistema mais moderno pode se transformar em uma barreira frágil diante da ousadia do crime organizado.

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